“Falta jornalismo de CPF e sobra jornalista de CNPJ. Falta mais jornalista da vida real, que muda a realidade, e sobra o da fofoca”. Dessa forma Daniel Scola mostra posições firmes sobre a realidade da profissão. Natural de Caxias do Sul, com oito anos de Rádio Gaúcha, em coletiva para os alunos de Famecos Scola contou de experiências de vida profissional e coberturas que marcaram a sua vida. Diz que sempre se interessou por rádio, especialmente a Rádio Gaúcha influenciado pelo pai que era ouvinte, mas nos últimos anos precisou fazer de tudo um pouco, se tornou um multimídia.
Scola deu uma aula de experiências e confiança no jornalismo de realidade. Defende que o objetivo do jornalismo é fundamental para cobrar responsabilidades. “Investigamos, denunciamos, somos críticos em relação à gestão pública. É o velho clichê: somos os olhos e ouvidos do povo. Se nada mudou, vai lá e mostra que nada mudou. Não dá para desistir. Se sabemos que o governo não vai fazer nada sobre algo, isso não pode desencorajar. O jornalista não pode pensar isso. Há matérias de calendário, carnaval, dia das crianças, natal. Eu faço as minhas matérias de calendário. Passou 6 meses, nada foi feito? Escrevo que nada foi feito”. Para ele, há riscos, e também burocracias, mas “uma matéria não vale uma vida”. O jornalista sempre terá obstáculos, mas que não devem intimidá-lo.
Scola comenta que nem sempre a melhor história é um grande acontecimento, uma tragédia, como o terremoto no Chile que cobriu neste ano. “Às vezes o grande assunto está embaixo do nosso nariz. Muitos falam de imparcialidade, eu falo de precisão”. Scola defende que o jornalista precisa ser sério, focado, mais preocupado ciom a realidade, com a rua, com a fonte, inclusive cita Caco Barcellos como “um cara exemplar”, que se preocupa com o jornalismo de rua com seriedade. “Muita coisa chega em mim porque uma pessoa diz que viu uma matéria minha e que vem acompanhando o assunto há algum tempo e acha que eu iria tratar isso de forma séria e me passa a informação” Para ele sempre há interesse. “A pessoa que me procurou para falar de uma criança espancada e que houve uma falha no sistema tutelar e já havia feito a denúncia. É interesse dela. Interesse público nesse caso”.
"Tem que cudar muito não parecer um falso
herói”
Numa cobertura como a do terremoto do Chile tudo acontece ao mesmo tempo, tudo é jornalismo. Scola chegou lá em 16 horas, sozinho. “Nesse tipo de cobertura tu precisa fazer tudo de forma bem equilibrada. Tem 4 corpos jogado ali, saques acontecendo em outro lugar...tem muito material. O desafio na matéria multimídia é pensar o que fica melhor em cada mídia”.
No calor do momento, Scola liga para o estúdio para entrar no ar no mesmo instante. “Mas enquanto isso já estou com uma câmera filmando tudo. A última coisa que vou pensar é no jornal”, contou aos estudantes. Se justifica. O texto é o momento de aprofundar o assunto. Para isso, Scola prefere ter longas conversas com as pessoas. Tanta dedicação lhe rendeu matérias aprofundadas, e até literárias, mesmo em momentos difíceis como o do toque de recolher em Concepción. Nesse momento foi acolhido por uma família chilena. “Indo com uma equipe não conseguiria isso".
O jornalista chegou a fazer a primeira refeição depois da 14 horas. Uma maçã. Mas a fome não era sua maior preocupação. “O maior drama foi ter muito material, texto, foto e vídeo e não ter como enviar porque não tinha internet, luz.... tinha que subir num ponto alto da cidade e pegar sinal de celular. E às vezes não dava certo”, conta.
Scola também foi elogiado por Luiz Artur Ferraretto, que já havia criticado seu programa. Em sua coluna no site Caros Ouvintes, Ferraretto afirma que a cobertura de Scola no Chile foi um dos melhores momentos do rádio no sul do país. Scola afirma que sempre haverá críticas. “A gente está esposto. Às vezes vem um elogio, mas sempre vai ter crítica”
E a crítica vem de todos os lados. Existem blogs patrocinados que se focam em desqualificar o trabalho dos jornalistas. Scola já se encomodou muito com isso. Em compensação a relação com a Polícia Federal, o Ministério Público e a OAB é muito boa. Foi com autorização que o repórter frequentou os presídios gaúchos durante três meses, apenas com uma câmera.
“Me questiono todo dia pra que serve o jornalismo”, confessa. A resposta vem das pautas do dia a dia. Scola diz que quando consegue usar a mega estrutura da RBS pra ajudar na vida das pessoas, então se sente recompensado.
Nossa Grafia
Blog criado para a disciplina de Online 1 da Famecos-PUCRS.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Daniel Scola concede coletiva aos estudantes da Famecos-PUCRS
À convite dos professores Juan Domingues e Andréia Mallmann, o jornalista da RBS vai comparecer na PUCRS, para conversar com estudantes da Famecos sobre sua carreira e vida profissional. Daniel transita por todas as mídias com a mesma tranquilidade em que transita pelos temas. Do caos dos presídios gaúchos ao pânico do Chile depois do terremoto. Será possível executar coberturas multimidia sem perder a profundidade? Esperamos a resposta de Daniel.
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